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quinta-feira, 19 de março de 2015

Duque diz que esposa não é parente de Dirceu e nunca esteve com Lula

Ao lado do relator da CPI da Petrobras, Luis Sérgio (esquerda), o ex-diretor da companhia Renato Duque fala aos parlamentares (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)
O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou nesta quinta-feira (19) à CPI da Petrobras, em um depoimento que durou cerca de quatro horas, que sua esposa não tem parentesco com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e que ela nunca esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusado de participar do esquema de corrupção que atuava na estatal,Duque havia dito inicialmente que ficaria calado durante toda a sessão, mas decidiu romper o silêncio e responder perguntas que mencionavam sua mulher e seu filho. "Não tenho nenhum problema de responder questão de parentesco. Basta olhar a árvore genealógica de um, a árvore genealógica de outro. Não tenho nenhum parentesco, nem nunca teve, nem esposa, nem ninguém. Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula, nunca esteve com [Paulo] Okamotto [ex-presidente do Sebrae]", afirmou o depoente em resposta a uma pergunta do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).
Conforme notícia que circulou na internet, a mulher de Duque seria parente de Dirceu e teria procurado Paulo Okamotto, amigo de Lula, para pedir que o ex-presidente intercedesse junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Duque fosse solto.
O ex-diretor foi preso em novembro do ano passado e solto 20 dias depois após decisão do ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF. Na última segunda (16), elevoltou a ser preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, após realizar movimentações bancárias suspeitas em contas bancárias que mantém no exterior.Ao responder a uma pergunta de Izalci, Duque disse ter interpretado como uma "ameaça” a disposição de integrantes da CPI de convocar sua mulher a falar na comissão. A convocação foi defendida, ao longo da sessão, por parlamentares de DEM, PSDB e PMDB.
"Estou respondendo, contrariando a orientação do meu advogado, porque vejo o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) falando a toda hora que tem que convocar a minha esposa. Eu estou entendendo como uma ameaça”, disse o ex-diretor da Petrobras.
Depois de responder à pergunta de Izalci, Duque acabou se pronunciando novamente. Em resposta a uma pergunta do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), o ex-diretor disse não conhecer o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato e acusado de ser um dos operadores do esquema de pagamento de propina na Petrobras. "Vou ficar calado e não conheço senhor Yousseff", afirmou Duque.
Em um certo momento da sessão, Duque provocou risos entre os integrantes da CPI ao responder à sugestão do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) para que a comissão convocasse “dona Elza”.
“Dona Elza é minha mãe. O senhor quer convocar a minha mãe?”, indagou Duque. “Quero convocar sua esposa. Quem é sua esposa?”, rebateu Perondi. “Prefiro permanecer calado”, respondeu o ex-diretor, em tom irônico.
Detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, o ex-diretor foi conduzido em um avião da PF até Brasília para depor aos deputados federais. Ele deixou a carceragem da Polícia Federal na capital paranaense por volta das 5h desta quinta. Por ordem do juiz federal Sérgio Moro, Duque foi escoltado sem algemas ao plenário da CPI.
Como foi denunciado no processo da Lava Jato, Duque não tinha obrigação de jurar falar a verdade à comissão e pode se recusar a responder às perguntas dos parlamentares, na medida em que a Constituição não exige que os cidadãos produzam provas contra si mesmo.Filho
Às 14h25, Renato Duque voltou a romper o silêncio ao para responder uma pergunta elaborada pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) que envolvia o filho do ex-diretor da estatal. A parlamentar oposicionista questionou se o filho dele trabalhava fora do Brasil em uma empresa que seria sócia da UTC Engenharia, uma das empreiteiras acusadas de participar do cartel que combinava preços em licitações da Petrobras.
“Estaria seu filho envolvido nesse esquema, inclusive com possibilidade de não retornar ao Brasil? Ou seria ele mais uma vítima?”, perguntou a deputada.
Duque respondeu que seu filho trabalhou no passado em uma petroleira norte-americana que, segundo ele, não tem qualquer relação com a UTC.
“A Technics não tem nada a ver com a UTC. É uma das maiores empresas na área de petróleo do mundo. Vamos desvincular da UTC. É muito maior que a UTC. Meu filho trabalhou nessa empresa em Houston (EUA) e um tempo no Brasil. É economista formado, foi recrutado por um head hunter. Quando ele foi recrutado, eu fiz uma consulta formal à Petrobras e ela respondeu: ‘Pode trabalhar, não tem problema nenhum’. Um tempo depois, ele retornou ao Brasil e deixou a empresa para abrir seu próprio negócio”, relatou.
A sessão da CPI chegou a ficar tensa quando o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) provocou os parlamentares petistas ao dizer que a CPI deveria “mandar comprar óleo de peroba para passar na cara do PT”. Irritados, deputados do PT se exaltaram e rebateram, com o dedo em riste, pedindo que o tucano respeitasse a bancada. Delegado Waldir, então, retrucou: “Abaixe esse dedo, abaixe esse dedo”.

sábado, 14 de março de 2015

Dilma posta vídeo na web em que defende a 'livre manifestação'

Ela disse ser de uma época em que não era possível 'protesto nas ruas'.
Brasil tem de defender que manifestação 'seja de forma pacífica', afirmou.A presidente Dilma Rousseff publicou neste sábado (14) em sua página oficial no Facebook um vídeo em que defende a "livre manifestação". A gravação foi feita durante entrevista coletiva após cerimônia de entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Rio Branco (AC), na última quarta-feira (11).

Em sua fala, a presidente disse que é de uma época em que não era possível organizar protestos nas ruas. Segundo ela, durante sua juventude, quem se manifestava “ia diretamente para a cadeia ou era chamado de subversivo e nomes piores”.
“[O governo] não tem o menor interesse, o menor intuito nem tampouco o menor compromisso com qualquer processo de restrição da livre manifestação. Neste país, nós temos o direito de manifestar. O que não temos o direito é de ser violentos. Sabemos que isso não pode acontecer”, disse a presidente.
"O que eu acho é o seguinte: a livre manifestação é algo que o Brasil tem de defender e tem, ao mesmo tempo, de defender que ela seja de forma pacífica", complementou.
Nesta sexta-feira (13), 33 mil pessoas, segundo as autoridades policiais, e 175 mil, segundo organizadores, foram às ruas para protestar em defesa da Petrobras e a favor do governo Dilma Rousseff. Os manifestantes, que foram convocados por centrais sindicais e outras entidades, também reivindicaram direitos dos trabalhadores, reforma agrária e reforma política.
Também estão programadas manifestações contrárias ao governo para este domingo (15) em diversas cidades do país.
Veja íntegra da fala de Dilma no vídeo publicado no Facebook:
"Sou de uma época em que não era possível se manifestar, não. As pessoas que se manifestavam iam diretamente para a cadeia ou eram chamadas de subversivas, ou de nomes piores. Eu acredito que uma das maiores conquistas do nosso país foi a democracia. Eu passei a minha vida inteira manifestando nas ruas, principalmente na minha juventude. Não tenho o menor interesse, o menor intuito, nem tampouco o menor compromisso, com qualquer processo de restrição à livre manifestação neste país. Nós temos o direito de manifestar, nós não temos o direito de ser violentos. Nós sabemos que isso não pode acontecer. Vejam as manifestações de 2013. Elas eram manifestações e foram manifestações pacíficas. Teve um momento em que perdeu-se o controle porque um grupo, não foi a manifestação inteira, um grupo ficou um pouco mais radicalizado e praticou a violência. Inclusive um colega de vocês [da imprensa] foi morto, foi assassinado. O que eu acho é o seguinte: a livre manifestação é algo que o Brasil tem de defender e tem, ao mesmo tempo, de defender que ela seja de forma pacífica"

quinta-feira, 12 de março de 2015

STJ autoriza inquéritos para investigar Pezão, Cabral e Tião Viana

PGR vê indícios em relação a governadores de RJ e AC e a ex-governador.
Secretário do governo Cabral, Regis Fichtner também será investigado.

O ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou nesta quinta-feira (12) a abertura de inquéritos para investigar os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT). O ministro também decidu derrubar o segredo de Justiça das duas investigações.
Os dois foram citados por delatores da Operação Lava Jato como beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. Eles negam as acusações. No inquérito de Pezão, também serão investigados o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o ex-chefe da Casa Civil Regis Fichtner.
Os pedidos de inquérito foram apresentados ao STJ no final da manhã desta quinta pela Procuradoria Geral da República, órgão que realiza as investigações e é responsável pela acusação.
Em depoimento dado com base em acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou ter arrecadado R$ 30 milhões como caixa dois da campanha de 2010 do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB). Os recursos teriam beneficiado também o atual governador do estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), vice de Cabral na época. De acordo com o ex-diretor, o operador dos repasses foi o então secretário da Casa Civil de Cabral, Regis Fichtner. Os três negam as acusações.
No caso do governador do Acre, Paulo Roberto Costa afirmou que R$ 300 mil foram dados como "auxílio" à campanha eleitoral de Tião Viana para o Senado em 2010. Segundo o ex-diretor, o pagamento foi feito pelo doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal e um dos articuladores do esquema de corrupção. Viana diz que a doação foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Acre e "não tem nada de ilegal".Pezão
O governador Luiz Fernando Pezão afirmou na tarde desta quinta-feira que respeita a decisão da Procuradoria Geral da República de pedir abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar a citação de seu nome por Paulo Roberto Costa. Mas Pezão classificou como "estapafúrdio" o depoimento do ex-diretor da estatal e disse estar certo de que a investigação vai comprovar que a acusação é falsa.
"Estou à disposição da Justiça, só quero ser ouvido.  Essa conversa nunca existiu. A acusação é falsa. Meu sigilo bancário está à disposição, só tenho uma conta. Minha declaração de bens é pública e também está disponível", afirmou o governador, ressaltando não ter sido oficialmente notificado e não ter constituído advogado.
Tião Viana
O governador do Acre, Tião Viana, divulgou nota na qual afirma que está "muito longe dessa podridão". "Os dedos sujos da injúria, da calúnia e da difamação que apontam para minha honra não escondem a covardia daqueles que certamente não terão a dignidade de vir a público pedir desculpas quando toda a verdade vier à tona", afirmou.
Na nota, ele afirma que recebeu uma doação legal, aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre, de empresa que, segundo disse, nunca teve relação comercial ou institucional com o governo. "Ao tomar conhecimento de eventual citação do meu nome, em janeiro deste ano, prontamente requeri interpelação judicial contra o bandido Paulo Roberto Costa.
E agora, tão logo revelado o teor da sua mentirosa citação do meu nome, determinei ajuizar contra ele ação civil por danos morais e ação penal por denunciação caluniosa", declarou.
Sérgio Cabral e Regis Fichtner
A assessoria do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) divulgou a nota no final da tarde desta quinta em que diz ter a "consciência tranquila" e afirma que é "mentirosa" a afirmação de Paulo Roberto no depoimento dado em delação premiada.
"Nunca solicitei ao delator apoio financeiro à minha reeleição ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Todas as eleições que disputei tiveram suas prestações de contas aprovadas pelas autoridades competentes. Reafirmo o meu repúdio e a minha indignação a essas mentiras", declarou.
Por meio de sua assessoria, Regis Fichtner reafirmou que nunca participou de nenhuma reunião com Paulo Roberto Costa, muito menos para tratar de arrecadação de recursos para campanha.
Na última segunda-feira, em nota, ele afirmou que tomará "as medidas cabíveis decorrentes das mentiras declaradas em relação à minha pessoa por parte do Sr. Paulo Roberto Costa, que incluirão pedido para que ele responda pelo crime cometido ao prestar tais declarações".
Indícios
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o início das investigações sobre os governadores por ver indícios de crimes atribuídos a eles nas apurações já realizadas.
Na mesma decisão que autorizou as investigações, Salomão derrubou o segredo de Justiça até então mantido sobre os pedidos.
O ministro também autorizou as primeiras diligências para coleta de provas (leia mais abaixo) e deu prazo de 20 dias para Pezão e Viana se manifestarem sobre os fatos descritos nos pedidos de investigação.Diligências
Nos despachos que autorizaram os inquéritos, Salomão autorizou também as primeiras medidas de investigação.
A Polícia Federal deverá coletar no Hotel Caesar Park, em Ipanema, no Rio de Janeiro, informações e documentos, incluindo imagens, registros de entrada e saída, relacionados a uma reunião realizada no primeiro semestre de 2010 em um dos quartos, possivelmente locado por Regis Fichtner.

Além disso, a PF terá 90 dias para tomar depoimentos de Cabral e Fichtner, além dos executivos Cláudio Lima Freire (da empresa Skanska), José Aldemário Pinheiro Filho (da construtora OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (da UTC), César Luiz de Godoy Pereira (Alusa), Ricardo Ourique Marques (Techint), Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria da Silva (ambos da Odebrecht).

A PF também fará uma análise das doações realizadas aos comitês financeiros da campanha eleitoral de 2010 ao governo do Rio de Janeiro registradas no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE) do Tribunal Superior Eleitoral.
Futuras diligências podem incluir quebras de sigilo (telefônico, bancário ou fiscal) ou interceptações telefônicas, por exemplo. É comum que elas sejam mantidas sob sigilo, para evitar que o investigado se antecipe e elimine rastros de delitos eventualmente cometidos.
Julgamento
O STJ é o foro competente para julgar, por crimes comuns, governadores de estado, desembargadores de tribunais estaduais e federais, além de membros de tribunais de contas dos estados – no Supremo Tribunal Federal (STF) são julgados ministros, deputados e senadores.
Os governadores, no entanto, são julgados no STJ pela Corte Especial, composta por 15 ministros. Os demais vão para a 5ª Turma, colegiado menor, formado por cinco magistrados. O STF, por sua vez, julga deputados, senadores e ministros.
Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou pedido enviado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar políticos citados por delatores. Na semana passada, o órgão enviou ao STF 25 pedidos de inquérito, já autorizados pelo relator na corte, ministro Teori Zavascki.
Entenda a Lava Jato
A Operação Lava Jato começou investigando um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A investigação resultou na descoberta de um esquema de desvio de recursos da Petrobras, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef, apontado como chefe do esquema, e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
A sétima fase da Lava Jato, deflagrada em novembro de 2014, teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras em um valor total de R$ 59 bilhões.
Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Só na sétima etapa da operação, foram expedidos 85 mandados de prisão, de busca e apreensão e de condução coercitiva (quando o investigado é levado pela polícia para depor) em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Lava Jato cumpriu 64 mandados de prisão, 201 de busca e apreensão e 55 de condução coercitiva. Ao todo, 150 pessoas e 232 empresas estão sob investigação da Procuradoria.
* Colaboraram G1 Rio e G1 AC

segunda-feira, 2 de março de 2015

Cunha recua de medida que autoriza passagem para mulher de deputado

Resultado de imagem para politicaDiante da repercussão negativa, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu nesta segunda-feira (2) recuar da medida que autoriza o uso de dinheiro da cota parlamentar para a compra de passagens aéreas para cônjuges de deputados.
Cunha afirmou que levará uma proposta alternativa para a reunião desta terça (3) da mesa diretora da Câmara, que aprovou a medida no último dia 25, entre uma série de outros benefícios para os parlamentares.
“Eu chamei a reunião da mesa amanhã [terça] com uma única pauta, justamente para tratar do assunto das passagens, em que vamos propor algum tipo de mudança. Ainda vou acertar. Como foi a mesa que decidiu, caberá à mesa mudar”, afirmou o presidente da Câmara.Na tarde desta segunda-feira, a Procuradoria da República no Distrito Federal informou que recomendou à Câmara a sustpensão da concessão de passagens aéreas a cônjuges de deputados. Na última sexta (27), a procuradoria informou que iria analisar o caso. Na recomendação, o procurador Douglas Kirchner afirmou que a decisão da Câmara viola os princípios da "moralidade, da impessoalidade e da indisponibilidade do interesse público". Segundo ele, o não cumprimento da recomendação poderá acarretar na responsabilização dos integrantes da Mesa Diretora da Câmara por ato de improbidade administrativa.
O PSDB chegou a entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de suspender a medida. Na noite de sexta-feira, o ministro Teori Zavascki recusou o pedido dos tucanos. Nesta segunda, o PT anunciou que abria mão do benefício. Outros partidos já tinham feito o mesmo.
Eduardo Cunha admitiu que a repercussão contrária à medida motivou o recuo. "Realmente, a repercussão foi muito negativa, eu reconheço que a repercussão foi negativa”, disse. “Eu acho que não houve o procedimento correto sobre o que existia no passado. De qualquer forma, nós estamos sempre subordinados à vontade da opinião pública e, se nós fizemos efetivamente algo que a repercussão não está positiva, cabe a nós fazermos a 'mea culpa' e corrigirmos”, declarou.
Cunha afirmou que, na reunião da mesa diretora desta terça, vai propor que o benefício seja concedido somente se o parlamentar entrar com um pedido, que será analisado de acordo com critérios a serem definidos.

“[Defendo] criar uma condição, as excepcionalidades que poderiam ser adotadas mediante decisão de cada caso individual”, afirmou. “O parlamentar teria que requerer com a justificativa que vamos definir o critério.”
Cunha negou que a decisão de liberar as passagens para os cônjuges de deputados tenha sido precipitada e afirmou que "faz parte da democracia” rever decisões.
“Eu não acho que foi precipitado (...). Eu acho que ter esse direito de poder recuar (...) é parte da democracia. Se todos nós fizéssemos assim, seria muito mais fácil”, observou.

O peemedebista afirmou ainda não estar “imune” a críticas ou erros. “Nós não somos imunes a críticas e nem a possíveis erros. Temos é que ter a tranquilidade para debater o problema. A repercussão não foi positiva, eu reconheço. Se não foi positiva, por que mantê-la?”
Outros benefícios
Apesar do anúncio de Cunha de rever a decisão sobre as passagens para cônjuges, a Câmara vai manter o  aumento aprovado na semana passada para todas as despesas com parlamentares, incluindo verba de gabinete – usada para pagar funcionários –, auxílio-moradia e cota parlamentar, que inclui os gastos com passagens.

O reajuste será aplicado a partir de abril, o que representará neste ano  impacto de cerca de R$ 110 milhões. A partir de 2016, a despesa extra será da ordem de R$ 150 milhões por ano.

Ao defender o aumento nas verbas, Cunha justificou na semana passada que se tratava de um reajuste inflacionário e explicou que serão feitos cortes na mesma proporção para que o impacto seja “zero” nos cofres da Casa.

domingo, 1 de março de 2015

Dilma inaugura Túnel Rio450 durante festa de aniversário do Rio

Dilma na inauguração do túnel rio450 (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)A presidente Dilma Rousseff participou na tarde deste domingo (1) da inauguração do Túnel Rio450, que liga o Centro ao Viaduto do Gasômetro, na Zona Portuária, e é o primeiro subterrâneo do Rio. Na cerimônia, em comemoração aos 450 anos da cidade, a presidente – condecorada no fim do dia com a Medalha 1° de Março – discursou ao lado do governador Luiz Fernando Pezão e do prefeito da cidade, Eduardo Paes.
Em seu discurso, Dilma enfatizou as parcerias entre os governos federal, estadual e municipal e as empresas privadas e também reforçou a importância de unir a cidade. Na plateia, essencialmente políticos e representantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Olímpico Internacional (COI)."Acredito que a afirmação da cidade do Rio de Janeiro é algo importantíssimo para todos nós. E nós estamos provando aqui que uma transformação de porte é possível, combinando a parceria público-privada. Aqui combinamos recursos do governo federal, do governo do estado, da prefeitura e da iniciativa privada. Isso é muito importante, porque gera emprego, qualidade de vida e gera melhor mobilidade urbana e melhor ocupação cultural e de lazer de uma cidade", afirmou.
"Cumprimento o prefeito por ter inaugurado em Madureira um palácio [terceira sede da prefeitura do Rio, inaugurada neste domingo na Zona Norte] . É uma demonstração que o Rio tem vários corações e eles batem simultaneamente. Um palácio em Madureira [na verdade fica no bairro vizinho de Oswaldo Cruz] faz algo que eu considero importantíssimo, que nós sempre buscamos, quando fizemos, por exemplo, o teleférico lá do Alemão [Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte]... Que é acabar com a divisão morro e litoral. Essa divisão gera uma divisão social também. Colocar um palácio em Madureira mostra que a cidade está buscando sua unidade, está construindo esta unidade de forma admistrativa e política", ressaltou a presidente, também citando a inauguração da Transcarioca, que corta a cidade e permite o transporte de 400 mil pessoas, como exemplo.
Presidente Dilma com prefeito Eduardo Paes na cerimônia de inauguração do Túnel Rio450 (Foto: Rodrigo Gorosito / G1)Presidente Dilma com prefeito Eduardo Paes
na cerimônia de inauguração do Túnel Rio450
(Foto: Rodrigo Gorosito / G1)
Dilma lembrou ainda da futura Linha 4 do Metrô: "Tenho orgulho de dizer que [a linha] sai de Ipanema via Rocinha... Porque nosso compromisso é esse, unir o morro com o litoral. Algo que foi separado não pela geografia, mas por decisões políticas que dividiram a cidade".
Paes elogia parceria
Dilma chegou ao Centro do Rio, para a inauguração do túnel, pontualmente às 16h, depois de desembarcar no Rio vinda no Uruguai, onde esteve para a posse do presidente Tabaré Vásquez. Na entrada do Túnel Rio450, na Rua Primeiro de Março, no Centro, a presidente participou da cerimônia de corte da faixa inaugural da obra, da qual também participaram o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach.Em seguida, a presidente atravessou o túnel num comboio de autoridades. Ao chegar na saída da passagem subterrânea, ouviu o discurso de Eduardo Paes e de Pezão.
"Os cães ladram e a caravana passa. As pessoas não conseguem perceber essas transformações, mas se não fossem as parcerias [com o governo federal, estadual e com empresas privadas] não teríamos trazido as Olimpíadas para cá. Eu sei do seu esforço e da dificuldade que é governar este país. Aqui no Rio, a senhora tem parceiros, amigos e pessoas que vão permanentemente estar apoiando", disse Paes em seu discurso.
protestos no rio - dilma (Foto: Rodrigo Gorosito e Daniel Silveira/G1)Manifestantes a favor de Dilma, à esquerda, na
saída da cerimônia de inauguração do Túnel
Rio450. À direita, um grupo protesta contra o
governo perto do Palácio da Cidade
(Foto: Káthia Mello e Daniel Silveira/G1)
Pezão fala em sonho realizado
Pezão também citou a parceria entre os governos: "Tenho certeza que os três entes federativos juntos – prefeitura, governo do estado e governo federal –, olhando para frente e sabendo dos ajustes que nós temos que fazer,  [que] não podemos perder a capacidade de continuar a sonhar, a investir e a continuar obras que é o que a população do Rio e do estado e do Rio sonhou durante muitos anos".
O Túnel 450, com 1.480 metros de extensão e batizado com este nome em homenagem às comemorações do aniversário da capital fluminense, terá três faixas de operação em sentido único, do Centro para o Gasômetro.
Na saída do evento no Centro, pouco antes das 17h, cerca de 5 manifestantes a favor da presidente Dilma carregavam cartazes de apoio. No mesmo horário, um grupo de cerca de 20 pessoas, perto do Palácio da Cidade, em Botafogo, Zona Sul do Rio, protestavam contra o governo. A presidente chegou logo em seguida.
Pezão, Dilma e Paes mostram a medalha comemorativa dos 450 anos do Rio (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Pezão, Dilma e Paes mostram a medalha comemorativa dos 450 anos do Rio (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Cerimônia no Palácio da Cidade
Logo após a inauguração do Túnel Rio450, a presidente Dilma Roussef participou da cerimônia oficial de comemoração dos 450 anos do Rio, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zonal Sul da cidade. No evento, a presidente recebeu a Medalha 1º de Março das mãos do prefeito Eduardo Paes e do governador Luiz Fernando Pezão.
A comemoração contou com a presença dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy e dos ministros do Esporte, George Hilton, do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e do Turismo, Vinicius Lages. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha também participou da solenidade. 
A cerimônia descontraída, bem ao estilo carioca, nos jardins do Palácio da Cidade teve show com apresentação de Wanda Sá e Roberto Menescal, dois dos mais famosos nomes da Bossa Nova. Eles cantaram “Rio”, “Ela é carioca”, “Samba do avião” , “Valsa de uma cidade” e "Garota de Ipanema". O dançarino Carlinhos de Jesus subiu ao palco para cumprimentar Dilma, Pezão e Paes. Na companhia  a bailarina Ana Botafogo os dois deram um pequeno show de dança.
Dilma recebe a Medalha 1º de Março das mãos do prefeito Eduardo Paes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Dilma recebe a Medalha 1º de Março das mãos do
prefeito Eduardo Paes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Dilma foi agraciada com a medalha juntamente com outros cariocas, de nascimento ou não, mas representantes da carioquice festejada durante todo este domingo de aniversário da cidade: a dama do samba Dona Ivone Lara; a dama do teatro Fernanda Montenegro; o Galinho de Quintino, Zico, recebido aos gritos de "Mengo"; o poeta imortal Ferreira Gullar.
Os vendedores de mate e de biscoito Globo Luís Soares da Silva e Isaias Santos também receberam a premiação. Eles chegaram com o uniforme que usam na praia, levando galões de mate e sacos de biscoito de polvilho.
A cerimônia marcou ainda o lançamento do selo comemorativo, elaborado pelos Correios, e da medalha comemorativa dos 450 Anos, feita em parceria com a Casa da Moeda. Destinada a colecionadores, a medalha cunhada em bronze, prata e ouro e tem seu desenho inspirado no relevo do Morro Dois Irmãos e outros pontos turísticos do Rio. Dilma ganhou uma medalha de prata comemorativa dos 450 anos das mãos do presidente da Casa da Moeda, Francisco Franco.
No discurso, a presidente voltou a ressaltar a parceria do governo federal com os governos do Rio. Dilma também lembrou que a cidade está se preparando para receber as Olimpíadas. "Rio de Janeiro, conte conosco. Nós estaremos presentes para garantir todas as obras. Mais do que as obras, os projetos de resgate social, cultural e histórico dessa cidade fantástica que vai receber uma das maiores cerimônias do mundo que é a Olimpíada. É momento de celebração da paz.", disse a presidente.
Os vendedores de mate e de biscoito Globo são homenageados pelo prefeito Eduardo Paes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Os vendedores de mate e de biscoito Globo são homenageados pelo prefeito Eduardo Paes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)