“Era a melhor filha do mundo. Nunca me deu desgosto na vida, nunca precisei mandar ela estudar, nada. Tanto que a gente ligou para ela pouco antes da meia-noite, horas antes de ela morrer, e ela estava estudando. Me dava muito orgulho. A última coisa que eu disse para ela foi 'eu te amo', com vários 'ô' no final. E ela disse que também”, contou o eletricista, sem conseguir conter as lágrimas.
Natural de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, onde a família reside, a jovem havia se mudado no último dia de fevereiro para Santa Maria. Ela era caloura do curso de engenharia de telecomunicações da UFSM. Na tarde de quinta-feira, após assistir a uma aula no Centro de Tecnologia, Mônica se dirigia ao restaurante universitário quando passou mal e caiu no chão. Duas mulheres e um vigilante da universidade ajudaram no socorro. Segundo os médicos, ela passou mal e sofreu uma parada cardiorrespiratória.Claudio conta que a filha tomava medicação diária por causa da miocardiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca de origem genética. O problema impedia a jovem de fazer grandes esforços, mas não exigia muitas alterações na rotina. Conforme o pai, dias antes da morte, ela relatou que estava se sentindo bem.
"Ela não sentia cansaço, não tinha reclamado disso. Só que a nossa cidade é plana, ela não precisava fazer subidas e descidas. Acho que isso pode ter piorado em Santa Maria, o fato de ter que subir e descer escada. Mas a universidade fez muito bem a ela. Tenho certeza que iria concluir o curso. Não conseguiu por causa disso", lamenta Claudio.
Conforme o pai, um dos sonhos da jovem era atuar na área de engenharia renovável. Dois dias antes da morte, a menina havia conseguido vaga para morar na Casa do Estudante do município, já que a família não tinha recursos financeiros para mantê-la sozinha.
O sepultamento está marcado para as 17h desta sexta-feira (20), no Cemitério Municipal Nossa Senhora de Sant'Ana, em Uruguaiana.
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