sexta-feira, 20 de março de 2015

Aldo mostra dedo para McGregor e pergunta: "Ele é o rei do Rio onde?"

A coletiva de imprensa que inicia o tour de José Aldo e Conor McGregor para promover o combate entre eles, que acontecerá no UFC 189, dia 11 de julho, em Las Vegas (EUA), pegou fogo desde os primeiros momentos, no ginásio do Maracanãzinho. Os gritos de “Uh, Vai Morrer” começaram logo quando Dana White mencionou o nome do irlandês. O dirigente abriu um largo sorriso. O desafiante entrou de terno e óculos escuros, o qual tirou para mandar beijos para o público. Aldo entrou em seguida e superou a entrada do rival: de terno, cordão e óculos escuros, mandou beijos e mostrou o dedo médio para o rival, que se levantou e o ameaçou. Dana White se colocou entre os dois, e o brasileiro sinalizou que ele falava demais.
José Aldo X Mcgregor, Coletiva UFC 189 (Foto: André Durão)José Aldo e Conor McGregor fizeram a primeira encarada para o UFC 189 (Foto: André Durão)
Logo na primeira declaração, Conor McGregor repetiu o que fez na véspera, quando visitou um pub irlandês na Zona Sul do Rio de Janeiro, ao dizer que é o dono da cidade.- Eu sou o dono desta cidade. Sou o dono do Rio de Janeiro. Quem vai fazer algo a respeito disso? Eu sou o rei, tenho herança real no meu sangue. Se fosse outra época, eu iria invadir sua favela e tomaria conta. Mas como estamos nessa época, vamos lutar em julho - disparou, sendo rebatido pelo oponente.
- Dono do Rio onde? Já lutei milhões de vezes aqui, todo mundo sabe quem é o Rei do Rio. Ele tenta se promover e acho até engraçado. Só tenho que rir das palhaçadas dele.
Ao ser questionado sobre as semelhanças de sua rivalidade com McGregor, com a de Anderson Silva e Chael Sonnen, Aldo declarou que não há chance de repetir o que Spider fez e chamá-lo para um churrasco depois do combate.
- Comigo é diferente. Fui criado na rua, sou vagabundo nato. Vou passar por cima mesmo, não discriminando ninguém. Sou brasileiro, vou passar por cima dele, não importa. Não tem negócio de amizade. A amizade fica para ele e para os amigos dele. Comigo, não.
Aldo X McGregor, Coeltiva UFC 189 (Foto: André Durão)Coletiva com Aldo e McGregor teve muitas declarações polêmicas (Foto: André Durão)
McGregor, por sua vez, não mostrou preocupação com os chutes baixos do campeão, que costumam ser eficientes. Apesar de ter se desequilibrado com este golpe em duas oportunidades em sua última luta, quando venceu Dennis Siver, o irlandês garantiu que isto não será um problema contra o brasileiro.
- Sou canhoto, julgo distância bem. Os chutes deles não vão ter eficiência contra mim. Para resumir, vou dar um gancho de esquerda e quebrar o nariz dele!
Quando o microfone foi para o público, os fãs, em vez de fazerem perguntas, apenas provocavam e puxavam cantos de “Aldo vai te pegar!” Um deles disse ter encontrado McGregor no pub irlandês na véspera, ter levado um soco e sobrevivido.
- Estou ansioso para olhar direto no seu olho. Os olhos nunca mentem! Os olhos nunca mentem! - disse McGregor, que largou o microfone e continuou vociferando provocações na direção do campeão. Aldo riu e olhou de volta.
Ainda no início da coletiva, o campeão já havia afirmado que o cartel de Conor McGregor não o impressiona, já que ele nunca enfrentou rivais do seu calibre.
- Vamos falar que ele é não é tudo que ele acha que é. Isso fez ele chegar até aqui ,nunca pegou ninguém do top 5 da categoria. Podem ficar tranquilo, pois ele é só mais um.
José Aldo X Mcgregor, Coletiva UFC 189 (Foto: André Durão)José Aldo e Conor McGregor vão se enfrentar no dia 11 de julho (Foto: André Durão)
Confira outras declarações da coletiva:
José Aldo
- A luta está bem vendida já, estamos fazendo esse tour para divulgar a luta, que será uma das maiores da história do UFC. Por isso, não me preocupo em promover, a resposta é lá dentro. 
- Ele colocou meu rosto para acertar com o dardo e não acertou nada. Ele não pode acertar uma coisa que não vê. Eu luto MMA. Como falo, o Dedé é o arco, eu sou a flecha. Ele mira no alvo e eu acerto.
Conor McGregor
- Até onde sei, ele é um cozinheiro, ele cozinha as lutas. Ele não finaliza ninguém. Só tem uma finalização na história do UFC. Eu finalizei quatro. Ele tem 25 minutos pra esconder aquele queixo de vidro de mim. Não vai acontecer! Vou acertá-lo, e ele vai cair!
- Ele não finaliza ninguém há cinco anos! Como vai me finalizar? Nunca fui nem golpeado dentro do octógono!
- Contra Chad, eu colocaria a mão na sua cabeça e ele ficaria longe, nem conseguiria me tocar.

Justiça oficializa exclusão de Suzane von Richthofen da herança dos pais

Suzane e Andreas von Richthofen (Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo)A Justiça de São Paulo oficializou neste mês a exclusão de Suzane Louise von Richthofen da herança dos pais. Desse modo, o patrimônio de Manfred e Marísia von Richthofen, assassinado em 2002, será transferido em definitivo para o irmão de Suzane, Andreas Albert.
Os bens do casal estariam avaliados em cerca de R$ 3 milhões à época do crime. A estimativa é que esse valor estaria girando atualmente em torno de R$ 10 milhões, segundo pessoas ligadas ao caso. O G1 não conseguiu localizar a defesa de Suzane e nem a advogada de Andreas para comentarem o assunto.

Suzane foi condenada a 39 anos de prisão por participar da morte dos pais juntamente com os Daniel e Christian Cravinhos. Ela era namorada de Daniel à época. Os irmãos Cravinhos também foram condenados pelo crime e cumprem pena em regime semi-aberto.Em sua sentença de 12 de março deste ano, o juiz José Ernesto de Souza Bittencourt Rodrigues, da 1ª Vara da Família e Sucessões, ratifica decisão judicial de 2011, que considerou Suzane “indigna” da partilha dos bens.

A diferença é que agora a Justiça oficializou a sentença. O motivo é que ela foi “transitada em julgado”. “(...) determinou a exclusão, por indignidade, da herdeira Suzane Louise von Richthofen, relativamente aos bens deixados por seus pais, ora inventariados, defiro o pedido de adjudicação formulado pelo único herdeiro remanescente, Andreas Albert von Richthofen”, escreveu o juiz Rodrigues.
Suzane Von Richthofen: “Quero que as pessoas saibam que sou um ser humano comum. Cometi um erro, estou pagando por ele e quero recomeçar minha vida” (Foto: André Vieira/Marie Claire)Suzane Von Richthofen, atuamente na prisão
(Foto: André Vieira/Marie Claire)
Em 2014, Suzane já havia aberto mão da herança dos pais. Documento obtido pelo "Fantástico", da Rede Globo, informava que ela procurou uma juíza para reafirmar seu desejo. Apesar disso, em fevereiro do ano passado, a presa teve negado um pedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para receber pensão alimentícia do espólio dos pais.

No mesmo documento, Suzane informou que tem interesse em ver o irmão Andreas, que não fala com ela. Suzane está detida na Penitenciária de Tremembé, interior de São Paulo.

Em agosto do ano passado, Suzane havia destituído seu advogado e desistido do benefício para ir ao regime semiaberto. A Justiça  Na época ela alegou questões de falta de segurança se saísse da prisão para trabalhar e voltasse somente para dormir.
Foi em Tremembé que ela conheceu a namorada Sandra Regina Ruiz, outra presa. A mulher foi transferida para outro presídio.
Neste mês, Andreas se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre o crime planejado pela irmã Suzane. Ele concedeu entrevista e divulgou uma carta à "Rádio Estadão" para defender a memória do pai.

'Melhor filha do mundo', diz pai de estudante que morreu após mal súbito

Mônica Machado estudante santa maria rio grande do sul (Foto: Reprodução/Facebook)A família da estudante Mônica Machado, de 18 anos, que morreu após sofrer um mal súbito na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Região Central do Rio Grande do Sul, ainda tenta entender a tragédia. Inconformado com a perda da filha única, o pai, Claudio, lembra que a jovem, que sofria de uma doença cardíaca, estava feliz de ter passado no vestibular para o curso de engenharia de telecomunicações. Os dois conversaram por telefone na noite anterior ao incidente, que ocorreu na tarde de quinta-feira (19).
“Era a melhor filha do mundo. Nunca me deu desgosto na vida, nunca precisei mandar ela estudar, nada. Tanto que a gente ligou para ela pouco antes da meia-noite, horas antes de ela morrer, e ela estava estudando. Me dava muito orgulho. A última coisa que eu disse para ela foi 'eu te amo', com vários 'ô' no final. E ela disse que também”, contou o eletricista, sem conseguir conter as lágrimas.
Natural de Uruguaiana, na Fronteira Oeste, onde a família reside, a jovem havia se mudado no último dia de fevereiro para Santa Maria. Ela era caloura do curso de engenharia de telecomunicações da UFSM. Na tarde de quinta-feira, após assistir a uma aula no Centro de Tecnologia, Mônica se dirigia ao restaurante universitário quando passou mal e caiu no chão. Duas mulheres e um vigilante da universidade ajudaram no socorro. Segundo os médicos, ela passou mal e sofreu uma parada cardiorrespiratória.Claudio conta que a filha tomava medicação diária por causa da miocardiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca de origem genética. O problema impedia a jovem de fazer grandes esforços, mas não exigia muitas alterações na rotina. Conforme o pai, dias antes da morte, ela relatou que estava se sentindo bem.
"Ela não sentia cansaço, não tinha reclamado disso. Só que a nossa cidade é plana, ela não precisava fazer subidas e descidas. Acho que isso pode ter piorado em Santa Maria, o fato de ter que subir e descer escada. Mas a universidade fez muito bem a ela. Tenho certeza que iria concluir o curso. Não conseguiu por causa disso", lamenta Claudio.
Conforme o pai, um dos sonhos da jovem era atuar na área de engenharia renovável. Dois dias antes da morte, a menina havia conseguido vaga para morar na Casa do Estudante do município, já que a família não tinha recursos financeiros para mantê-la sozinha.
O sepultamento está marcado para as 17h desta sexta-feira (20), no Cemitério Municipal Nossa Senhora de Sant'Ana, em Uruguaiana.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Tarifa média de água varia até 158% entre estados, indica ranking

BDBR - Cantareira (Foto: Rede Globo)

Em 14 dos 27 estados, despesas com os serviços superam tarifas.
‘Pagamos muito barato pela água no Brasil', diz pesquisador.

A tarifa média de água paga no país varia até 158% entre os estados, e as diferenças de preços pelo país pouco refletem a atual crise hídrica, que afeta sobretudo o Sudeste e o Nordeste. Dados do governo mostram que populações de locais onde o abastecimento está mais prejudicado ou ameaçado pagam comparativamente até menos pela água tratada que moradores de regiões que não estão sendo prejudicadas pela estiagem.

Segundo o levantamento mais atualizado do Ministério das Cidades, a maior tarifa média praticada no país é a do Rio Grande do Sul (R$ 4,18 por metro cúbico), enquanto a menor é a do Maranhão (R$ 1,62/m3). Estados como Minas Gerais e São Paulo, com níveis críticos de água nos reservatórios, aparecem apenas na 19ª e 20º posição, respectivamente. Veja ranking mais abaixo.
"Com o passar do tempo a situação foi se agravando porque passamos longos períodos inflacionários, e as tarifas não foram reajustadas na mesma medida. Independente das peculiaridades de cada local, a tarifa está muito defasada, não reflete os custos”, diz Jaildo Santos Pereira, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e coordenador da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH).
O pesquisador explica que o modelo de composição das tarifas de água no país data ainda da década de 60 e foi desenvolvido de forma a refletir o custo médio de operação em cada estado.
Ele destaca que a tarifa não está associada à abundância de reservatórios na região, mas sim aos custos de captação, tratamento e distribuição. “Cada sistema tem uma estrutura própria de custos porque depende da água que está captando, a distância, a barreira topográfica a vencer e o custo de energia”, diz Pereira.
'Água é muito barata no Brasil'
Jaildo Santos Pereira defende uma recomposição nos valores cobrados pelos serviços de distribuição de água no país de forma a garantir um maior volume de investimento no setor.
“Pagamos muito barato pela água comparado a outros países, e isso estimula o desperdício, pois passa a ideia de que a água é uma coisa mágica, infinita, que basta abrir a torneira e ela cai”, afirma Pereira. "Na minha casa a conta de água chega às vezes a ser 6 vezes mais barata do que a conta de energia. Isso não é coerente", opina.
Segundo ele, a crise hídrica, embora comparável à de energia, não recebe a mesma atenção em termos de discussão sobre o custo da operação e necessidade de reajustes extraordinários.
“No setor elétrico, houve alteração no custo do fornecimento de energia e as tarifas aumentaram. Estamos sob bandeira vermelha. Mas não vemos nenhum comentário do tipo em relação à água. É uma irracionalidade", critica.
Além de uma revisão da legislação e das políticas tarifárias, Pereira defende que as contas de água passem a informar o custo real da água em cada localidade, uma vez que muitos consumidores pagam bem abaixo do custo do serviço.
"É preciso atacar também o lado da demanda. É necessário sinalizar para o usuário o real custo da água”, diz o pesquisador. "Já os estados deveriam criar fundos para financiar novos investimentos e para evitar que de tempos em tempos as companhias precisem ser socorridas pelos cofres públicos como acontece hoje, completa.
Comparativo com outros países
O secretário nacional de saneamento ambiental diz que o custo de energia ainda é bem superior no país ao de distribuição de água e defende que a discussão sobre tarifa leve em conta também a eficiência de gestão das empresas.
"As agências reguladoras devem levar em conta na definição das tarifas a incidência da crise hídrica, mas também não podem jogar no consumidor o custo da ineficiência da ausência de planejamento", afirma Ferreira, destacando que tarifas mais elevadas não necessariamente refletem melhor qualidade do serviço e capacidade de investimentos.
Ele destaca, ainda, que, por se tratar de um bem vital, é comum o serviço de distribuição de água ser subsidiado nos países.
"A tarifa média no Brasil é em torno de U$ 1 e US$ 1,20 o metro cúbico. Na Áustria é US$ 1,05/m3, nos EUA está US$ 1,25/m3. Já na Holanda é US$ 3,16/m3. Quando você olha a Hungria, a tarifa é US$ 0,45/m3, claramente subsidiada", diz, citando dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Sudeste é a região com a tarifa média mais baixa do país, de R$ 2,45/m3. O Centro-Oeste é a que pratica a mais alta (R$ 3,19/m3), seguida pelo Sul (R$ 3,16/ m3), pelo Nordeste (R$ 2,59/ m3) e pelo Norte (R$ 2,56/ m3). Os dados são do Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto de 2013, divulgado no final do ano passado, mas o cenário pouco tem se alterado nos últimos anos.
Na Sabesp, por exemplo, que em dezembro de 2014 recebeu autorização para um reajuste de 6,94%, a tarifa média é de R$ 2,91/m³ – valor inferior ao da tarifa média de outros 11 estados em 2013.
Segundo o levantamento, o reajuste médio das tarifas do país foi de 6,9% em 2013 acima da inflação, que foi de 5,91%. Já as despesas subiram, em média, 10,3% em relação ao valor de 2012.
Vista da represa do Atibainha, em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira. O reservatório integra o Sistema Cantareira, que abastece mais de 6 milhões de pessoas na Grande São Paulo.  (Foto: EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO)


























Tarifa x custo
Além das variações de estado para estado, os dados do levantamento apontam para um certo desequilíbrio entre as tarifas praticadas e as despesas com a operação de captação, tratamento e distribuição de água.

Entre as 27 unidades da federação, 13 estados e o Distrito Federal tinham em 2013 uma despesa total média maior que a tarifa média. Em 2012, eram 15 estados nesta situação. No Pará, Roraima e Acre essa diferença chegou a mais de 50%.
“Despesas totais médias superiores às tarifas médias praticadas indicam dificuldades em manter a sustentabilidade dos serviços, comprometendo a qualidade”, alerta o estudo do Ministério das Cidades.
A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que atende 320 dos 497 municípios do estado, diz que a arrecadação na maioria das cidades não cobre os custos.

“Nós temos uma tarifa que é única para todo o Rio Grande do Sul e essa tarifa tem que ser uma tarifa ajustável à capacidade de pagamento das pessoas. A nossa conta média hoje é R$ 60. E não podemos cobrar R$ 200, R$ 300 de uma pessoa que não possa pagar em uma cidadezinha pequenininha”, afirmou ao G1, em janeiro, o superintendente de gerenciamento de expansão Corsan, José Homero.
O secretário nacional de saneamento ambiental, Paulo Ferreira, avalia que, embora existam casos em que a tarifa esteja "totalmente distorcida", é preciso analisar individualmente a situação de cada companhia, uma vez que em muitos municípios o serviço de distribuição de água é feito através de autarquias municipais.
"A tarifa é um ponto importantíssimo. Se a empresa não tiver uma tarifa equilibrada, ela não terá capacidade de investimento. E quando não tem essa capacidade, o estado acaba tendo de subsidiar", diz. "No Piauí, por exemplo, claramente tem de ter subsídio. Mas, na minha visão, nos estados do Sul e Sudeste a tarifa está suficiente equilibrada, porque todas as empresas têm capacidade de investimento", acrescenta.
A Sabesp, que tem capital aberto e atende 364 municípios no estado de SP, entrou este mês com um pedido de revisão extraordinária na Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), mas a proposta ainda será submetida a consultas públicas e não há previsão de quando haverá uma decisão sobre o assunto.
"Uma vez comprovada a pertinência do pleito, e o risco ao equilíbrio econômico-financeiro, serão realizados os cálculos para definir novos níveis tarifários que levem em conta as variações não previstas por ocasião dos cálculos da tarifa em vigor, de modo a manter o equilíbrio econômico-financeiro até o final do ciclo tarifário (2017)", informou a Arsesp.
Política de preços
Diferente do que ocorre no setor elétrico, as tarifas dos serviços de água e saneamento não são reguladas por uma agência federal. São definidas pelos municípios e estados através de agências reguladoras. Ou seja, muitas vezes acabam sujeitas a conveniências políticas.

Em suposta gravação, Estado Islâmico assume ataque na Tunísia

Forças de segurança da Tunísia são vistas em frente ao Museu Bardo nesta quinta-feira (19) (Foto: Fethi Belaid/AFP)
O grupo radical Estado Islâmico assumiu nesta quinta-feira (19) a autoria do ataque que deixou 23 mortos - 20 turistas estrangeiros - em Túnis, capital da Tunísia, segundo uma gravação em áudio distribuída online, informou a agência de notícias Reuters.
A gravação elogia os homens que cometeram o ataque e diz que eles eram "cavaleiros do Estado Islâmico" armados com bombas e metralhadoras.O grupo jihadista, que atua na Síria, Iraque e Líbia, ameaçou a Tunísia com novos ataques.
Descrevendo o atentado contra o museu com um "ataque abençoado contra um dos lares infiéis na Tunísia muçulmana", a voz que lê o comunicado diz que a operação sangrenta foi realizada por "dois cavaleiros do califado, Abu Zakaria al-Tunsi e Abu Anas al-Tunsi. "
Eles estavam "armados com armas automáticas e bombas" e "conseguiram cercar um grupo de cidadãos de países cruzados, semeando o terror nos corações dos infiéis".
"O que vocês viram é apenas o começo. Vocês não vão desfrutar de segurança nem paz", continua a gravação.
Prisões
A polícia da Tunísia prendeu dois familiares de Hatem Al-Khashnaoui, militante islâmico suspeito de ter cometido o ataque. Além disso, as forças de segurança do país prenderam quatro pessoas suspeitas de terem ligação direta com o ataque no Museu Bardo, no complexo do Parlamento do país. Outras cinco pessoas que poderiam estar relacionadas à célula que cometeu o ataque também foram detidas, segundo a agência de notícias France Presse.
"O chefe de governo indicou que as forças de segurança conseguiram perder quatro elementos com relação direta com a operação e outros cinco suspeitos de estar relacionado com essa célula", indicou a presidência em um comunicado, sem detalhar a identidade ou o papel dos suspeitos.
Além disso, as autoridades anunciaram que o Exército será mobilizado para proteger as maiores cidades do país, aumentando a segurança após o ataque, de acordo com a Reuters.
“Após uma reunião com as forças armadas, o presidente decidiu que as cidades maiores terão sua segurança feita pelo Exército”, afirmou um comunicado do gabinete do presidente.
O número de turistas estrangeiros que morreram no ataque cresceu para 20, informou o governo do país nesta quinta. Três cidadãos tunisianos também morreram no ataque.
Membro do Parlamento coloca flores em local com rastro de sangue deixado após atentado a museu na Tunísia (Foto: Christophe Ena/AP)Membro do Parlamento coloca flores em local com rastro de sangue deixado após atentado a museu na Tunísia (Foto: Christophe Ena/AP)
Nesta quarta, as autoridades haviam contabilizado 17 estrangeiros e dois tunisianos mortos, além dos dois suspeitos. As novas vítimas haviam ficado feridas na ação.
Dois homens armados abriram fogo contra um ônibus de turistas no Museu Bardo, que fica no mesmo complexo que o Parlamento, e fizeram reféns no local. Eles foram mortos após horas de operação. O ataque foi o pior realizado no país em mais de uma década.
Os dois homens foram identificados pelo governo como Yassine Abidi e Hatem Khachnaoui, dois nomes tipicamente tunisianos. O porta-voz do ministério do Interior afirmou que "provavelmente" os responsáveis pelo ataque são tunisianos. Um deles seria conhecido das forças de segurança. As autoridades destacaram a possibilidade de que eles teriam dois ou três cúmplices.
Entre os estrangeiros mortos, segundo informações da Tunísia e dos países de origem das vítmas, estão quatro italianos, dois franceses, dois colombianos (um deles com dupla nacionalidade australiana), três japoneses, dois poloneses, dois espanhóis e um britânico. A nacionalidade de quatro pessoas ainda é desconhecida. Eles estavam em um tour de um cruzeiro que havia feito escala no país.
Também morreram três tunisianos, sendo um policial, um motorista de ônibus e o terceiro ainda não identificado. As autoridades locais trabalhavam nesta quinta-feira (19) na identificação das vítimas.
A agência Efe afirma que um brasileiro estaria entre as vítimas, de acordo com fontes consulares latino-americanas. No entanto, a informação não é confirmada oficialmente. Procurado pelo G1, o Itamaraty disse que "não há brasileiros entre as vítimas fatais nem entre os feridos que portavam alguma documentação", segundo averiguou o Encarregado de Negócios do Brasil em Túnis, mas observou que ainda há corpos que não foram identificados. O funcionário também verificou que "não há brasileiros ausentes nos dois cruzeiros de onde procedem as vítimas estrangeiras identificadas", segundo nota.
O premiê tunisiano informou que os atacantes, vestindo uniforme militar, abriram fogo contra os turistas, enquanto estes desciam de ônibus, antes de persegui-los dentro do prédio. Uma centena de turistas estava no museu quando "dois homens ou mais, armados com kalashnikov" lançaram o ataque.
As autoridades informaram que os dois atacantes morreram durante o ataque, no qual 44 pessoas ficaram feridas.
Este ataque terrorista, segundo o ministério do Interior, afeta o país pioneiro da Primavera Árabe que, ao contrário dos demais Estados que viveram movimentos contestatórios em 2011, conseguiu escapar até então da onda de violência ou de repressão.

Duque diz que esposa não é parente de Dirceu e nunca esteve com Lula

Ao lado do relator da CPI da Petrobras, Luis Sérgio (esquerda), o ex-diretor da companhia Renato Duque fala aos parlamentares (Foto: Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)
O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque afirmou nesta quinta-feira (19) à CPI da Petrobras, em um depoimento que durou cerca de quatro horas, que sua esposa não tem parentesco com o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e que ela nunca esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acusado de participar do esquema de corrupção que atuava na estatal,Duque havia dito inicialmente que ficaria calado durante toda a sessão, mas decidiu romper o silêncio e responder perguntas que mencionavam sua mulher e seu filho. "Não tenho nenhum problema de responder questão de parentesco. Basta olhar a árvore genealógica de um, a árvore genealógica de outro. Não tenho nenhum parentesco, nem nunca teve, nem esposa, nem ninguém. Minha esposa nunca esteve com o presidente Lula, nunca esteve com [Paulo] Okamotto [ex-presidente do Sebrae]", afirmou o depoente em resposta a uma pergunta do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).
Conforme notícia que circulou na internet, a mulher de Duque seria parente de Dirceu e teria procurado Paulo Okamotto, amigo de Lula, para pedir que o ex-presidente intercedesse junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Duque fosse solto.
O ex-diretor foi preso em novembro do ano passado e solto 20 dias depois após decisão do ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF. Na última segunda (16), elevoltou a ser preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, após realizar movimentações bancárias suspeitas em contas bancárias que mantém no exterior.Ao responder a uma pergunta de Izalci, Duque disse ter interpretado como uma "ameaça” a disposição de integrantes da CPI de convocar sua mulher a falar na comissão. A convocação foi defendida, ao longo da sessão, por parlamentares de DEM, PSDB e PMDB.
"Estou respondendo, contrariando a orientação do meu advogado, porque vejo o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) falando a toda hora que tem que convocar a minha esposa. Eu estou entendendo como uma ameaça”, disse o ex-diretor da Petrobras.
Depois de responder à pergunta de Izalci, Duque acabou se pronunciando novamente. Em resposta a uma pergunta do deputado Ivan Valente (PSOL-RJ), o ex-diretor disse não conhecer o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato e acusado de ser um dos operadores do esquema de pagamento de propina na Petrobras. "Vou ficar calado e não conheço senhor Yousseff", afirmou Duque.
Em um certo momento da sessão, Duque provocou risos entre os integrantes da CPI ao responder à sugestão do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) para que a comissão convocasse “dona Elza”.
“Dona Elza é minha mãe. O senhor quer convocar a minha mãe?”, indagou Duque. “Quero convocar sua esposa. Quem é sua esposa?”, rebateu Perondi. “Prefiro permanecer calado”, respondeu o ex-diretor, em tom irônico.
Detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, o ex-diretor foi conduzido em um avião da PF até Brasília para depor aos deputados federais. Ele deixou a carceragem da Polícia Federal na capital paranaense por volta das 5h desta quinta. Por ordem do juiz federal Sérgio Moro, Duque foi escoltado sem algemas ao plenário da CPI.
Como foi denunciado no processo da Lava Jato, Duque não tinha obrigação de jurar falar a verdade à comissão e pode se recusar a responder às perguntas dos parlamentares, na medida em que a Constituição não exige que os cidadãos produzam provas contra si mesmo.Filho
Às 14h25, Renato Duque voltou a romper o silêncio ao para responder uma pergunta elaborada pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) que envolvia o filho do ex-diretor da estatal. A parlamentar oposicionista questionou se o filho dele trabalhava fora do Brasil em uma empresa que seria sócia da UTC Engenharia, uma das empreiteiras acusadas de participar do cartel que combinava preços em licitações da Petrobras.
“Estaria seu filho envolvido nesse esquema, inclusive com possibilidade de não retornar ao Brasil? Ou seria ele mais uma vítima?”, perguntou a deputada.
Duque respondeu que seu filho trabalhou no passado em uma petroleira norte-americana que, segundo ele, não tem qualquer relação com a UTC.
“A Technics não tem nada a ver com a UTC. É uma das maiores empresas na área de petróleo do mundo. Vamos desvincular da UTC. É muito maior que a UTC. Meu filho trabalhou nessa empresa em Houston (EUA) e um tempo no Brasil. É economista formado, foi recrutado por um head hunter. Quando ele foi recrutado, eu fiz uma consulta formal à Petrobras e ela respondeu: ‘Pode trabalhar, não tem problema nenhum’. Um tempo depois, ele retornou ao Brasil e deixou a empresa para abrir seu próprio negócio”, relatou.
A sessão da CPI chegou a ficar tensa quando o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) provocou os parlamentares petistas ao dizer que a CPI deveria “mandar comprar óleo de peroba para passar na cara do PT”. Irritados, deputados do PT se exaltaram e rebateram, com o dedo em riste, pedindo que o tucano respeitasse a bancada. Delegado Waldir, então, retrucou: “Abaixe esse dedo, abaixe esse dedo”.

Governador tucano de Goiás diz a Dilma que não faz oposição

A presidente Dilma Rousseff durante evento em goiânia ao lado do governador do estado, Marconi Perillo, do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse nesta quinta-feira (19) à presidente Dilma Rousseff, em Goiânia, que pertence a um partido de oposição, mas que não faz oposição a ela. No ano passado, durante a inauguração de um trecho da ferrovia Norte-Sul, em Anápolis (GO), Perillo já havia se declarado um "admirador" da presidente.
Nesta quinta, Dilma esteve em Goiânia para assinar a ordem de serviço para o ínício das obras do corredor Norte-Sul do BRT, sistema de transporte que prevê corredores exclusivos para ônibus na capital goiana. Na quarta, pesquisa do instituto Datafolha apontou o mais baixo nível de popularidade da presidente desde o primeiro mandato (13% de aprovação e 62% de rejeição). O PSDB de Marconi Perillo é o principal partido de oposição ao governo.
"Sou de um partido que faz oposição à senhora, mas eu, não. Ninguém nunca me ouviu, aqui em Goiás, dizer uma só palavra minha que não fosse de respeito e reconhecimento ao trabalho que vossa excelência fez pelo estado de Goiás", declarou o governador.Do lado de fora do evento, havia cerca de 20 manifestantes, que protestavam contra o governo federal. Na sede da Prefeitura de Goiânia, onde ocorreu a cerimônia, a presidente foi aplaudida de pé e ovacionada pela plateia, formada por políticos locais, servidores do governo municipal e integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O público entoou o coro "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma".
Ao discursar na solenidade, dirigindo-se ao governador, a presidente disse que é preciso respeitar a democracia e que nesse regime todos têm o direito de falar e se manifestar.
“Porém, todos têm de serem ouvidos e por isso peço tolerância. Uma outra questão é o diálogo porque implica que a gente olhe o próximo, aquele com quem dialogamos, como uma pessoa igual a nós. Que a gente tenha a humildade de nos colocar no nível de todos e não nos acharmos nem melhor nem pior que ninguém”, afirmou.
Na última segunda-feira, ao sancionar o novo Código de Processo Civil, em Brasília, um dia depois das manifestações que levaram milhares às ruas em todo o país em protestos contra o governo, Dilma pregou "humildade" e "tolerância" e defendeu "diálogo" com todos os setores da sociedade.
Marconi Perillo disse ter recebido "conselhos" para não participar do evento ao lado da presidente. No discurso, o tucano disse que jamais concordará com "intolerância" e "injustiças" em relação a Dilma e com eventuais ataques para hostilizá-la.
"Venho como governador legitimamente reeleito receber uma presidente legitimamente reeleiita e que terá meu apoio à sua governabilidade", disse o governador. "O Brasil não pode ser vítima da intolerância, desrespeito, não pode ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer", acrescentou.
Perillo disse não se importar com "minorias que desrespeitam as pessoas" e garantiu ter "relações republicanas" com prefeitos de cidades de Goiás que são do PT e do PMDB.
Após a fala de Perillo, Dilma o classificou de "parceiro do governo federal" e afirmou que os caminhos dela e do governador “sempre se encontraram” porque, afirmou, os dois respeitam a democracia e governam para toda a população. No evento, a presidente destacou ainda que a democracia foi conquistada com "muito esforço, dor, prisões e mortes".
“Essa parceria se dá acima das nossas diferentes filiações partidárias. Somos um país – e isso é importante sinalizar –, um país democrático, em que a gente disputa durante a eleição e, acabou a eleição, eleitos – porque que o povo escolheu –, a gente passa a governar para toda a população. Ele [Perillo], para toda a população de Goiás e eu, para toda a população do Brasil”, disse a presidente.